quarta-feira, 30 de junho de 2010

VALE A PENA ASSISTIR

A combinação de olhos imersos em segredos e sorriso irresistível só poderia resultar em Oscar. A premiação foi o que nossos "hermanos" argentinos conseguiram com O Segredo dos seus olhos, filme estrangeiro vencedor do Oscar neste ano.
Assisti ao filme na última 3a feira, em cartaz numa única sessão, às 21h30 min. Pena que películas tão boas quanto essa não ganhem o espaço que merecem.
O filme, de Juan José Campanella, tem uma trama surpreendente, no verdadeiro sentido do termo, tanto que o "segredo dos olhos" é uma expressão polissêmica no enredo, pois o título pode se referir aos olhos de qualquer um dos personagens centrais do enredo (ou de mais de um, ou de todos).
Numa história em que se tenta fazer a justiça com as próprias mãos na Argentina da época de Evita Péron, Campanella mescla presente e passado da vida pessoal e profissional de Irene, uma advogada; Espósito (o protagonista) e Sandoval, dois funcionários públicos que trabalham com a doutora; e Morales, viúvo e funcionário de um banco.
Essas vidas se entrelaçam. Morales busca incessantemente encontrar o assassino de sua jovem esposa e, para isso, conta com a ajuda dos outros três. O segredo dos olhos desse personagem está no que ele fará quando encontrar tal criminoso.
Já Sandoval é amigo incondicional de Espósito e este também o é quando aquele se embriaga. O vício atrapalha a relação de Sandoval com a família. Seu segredo? Seu fim. Entre ele e Espósito há cenas que quebram a tensão gerada pelo conflito central do filme, como as que retratam o ambiente de trabalho dos amigos com diálogos irônicos de ambos e as com comentários e reações dessas personagens quando Irene chega para trabalhar com eles ou quando juntos invadem a casa da mãe de Gómez (um amigo de infância da jovem assassinada. Este a contempla em todas as fotos da infância e da adolescência da moça. É este o segredo dos olhos de Gómez.) Quanto ao segredo dos olhos daqueles dois? Espósito passa 25 anos remoendo tal assassinato, a ponto de tentar - são inúmeras as folhas escritas, rabiscadas e rasgadas - escrever um romance sobre o crime. Junto com essas memórias, os momentos de investigação, perseguição e fuga vividos por ele e Irene lhe vêm sempre à mente. Ele a procura para que avaliasse o romance que tentava redigir e que vai tomando forma no decorrer da trama. Quanto de suas vidas está presente naquelas páginas? O que realmente Espósito sente por Irene? (o desfecho que o autor dá à anotação "TEMO" escrita pelo protagonista num caderninho durante uma noite mal dormida é muito interessante!).
E Irene, casada, com dois filhos, uma advogada renomada, o que sente ao (re)ver o companheiro de trabalho Espósito? Só um sorriso irresistível poderia ser a resposta. Eis aí o segredo dela.
Além da história bem "amarrada", as cenas do passado como flashes embaçados, a riqueza dos diálogos (e dos silêncios) e o desfecho construído por (e para) cada um dos personagens são trunfos do autor para prender o espectador do início ao fim. Vale muito, muito a pena assistir ao filme! Fica aqui minha dica de filme para as férias.

2 comentários:

  1. Nossa, excelente sua visão sobre o filme. Também sou suspeito para dizer, né. Mais adorei o seu texto. Muito bom mesmo. Beijos

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  2. Aninha...
    Fiquei com vontade de assistir ao filme...
    BEijos

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